Com a sacola de pão no colo e já todo atabalhoado caçando a chave no bolso, essa que de vida própria conduzia minha mão a fechadura sem que eu me desse conta do repetir de toda a vez, da automaticidade dos gestos, a mão de um insensível que só usava o tato no instante inexato de caçar o molho o quão mais rápido no bolso encardido... essa mão: parara.
Fiquei estacionado em frente a porta, inativo pelo vôo rasante de um pássaro lindo que no piscar destes olhos, testemunhei o seu sumir mato a dentro.
Que belo pássaro ... não pude contemplá-lo mais. Me pus à pensar se os pássaros também nos acham lindos, belos ... com exceção das aves de rapina que, pelo o que tenho escutado desde menino, até vomitam quando muito próximos do ser humano, dado a repulsa que eles tem por nossa nobre humana raça.
Outro pássaro, pássaro qualquer ... pequeno, grande, dono de suas plumagens e canto, será que ave qualquer pára na mata, escondida, adimirada ao ver a nossa passagem?
Dúvido ...
Penso até que eles estão tão ocupados quanto nós, construindo seus pequenos ninhos, juntando corda, cipó, migalhas, migalhas, um pulga aqui, um vermezinho alí, batem acelerados suas asas, no intento de chegar antes, recolher-se antes do escurecer, chegar a tempo, tempo de sabe-se-lá-oque ...
São como nós, se recolhem em silêncio e reservam seu canto, seu melhor vôo, para o dia seguinte. Cada qual qual o seu canto.
Mas, numa coisa os louvo, mesmo no desinteressado gesto selvagem, gestos que nos fazem alheio destes que de tão delicados são tão mais fortes em tudo, não há um só dia que não cantem ... nos dão bom dia mesmo ignorando nossa débil e similar existência.
Eles têm pena. Pena das asas que não temos, do canto que não sabemos... realmente não somos lá grande coisa de se adimirar ...
photo by: Roberto Santana Gonçalves
Quem sou eu
- Wagner Luíz @cadaveZmaisloco
- Apaixonado ... cada hora por algo , vivo de pequenas distrações, coleciono canções, pessoas, passos, enfim, um vasto relicário de ações + reações ... campeão em recordações. já o FUTUROooo... eu deixo todo ELE pra vocês !!!
terça-feira, 17 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Entrega
Fala-se muito em confiança por aqui, por aí ... fala-se em especial na ausência dela. Tal produto em falta logo encarece. É a lei do mercado e até mesmo um "hare-krshna", ou um "bodhsattva" são involuntariamente coniventes com tal cálculo.
Agora, quando o simples passou a encarecer ? Eis aí um detalhe perdido na história, não há um registro de data ou período em que o simples passou a valer tanto quanto um unicórnio ou uma fênix ... e que de tão raro já não se põe preço algum. Enfim ninguém sabe o seu preço e nem mesmo a sua face, a confiança, entre tantos outros itens de real valor, passa desapercebida na rua. Uma em um milhão anônima na multidão.
Maior que isso só mesmo a entrega. Embora, traga nela a confiança embutida, a entrega é sempre o maior dos valores e até mesmo o mais nobre. Quando "só" confiamos entregamos ao outro a responsabilidade pelos nossos gestos em especial lhe outorgamos um serviço hérculeo, justo o qual não somos capazes de executar - não fazemos assim quando damos o poder aos políticos ? Realçamos assim o verniz da nossa imputabilité.

Quando nos entregamos é diferente ... mesmo correndo o risco de cair. Caíremos juntos mesmo que nossos rolês tenham mudado. Quando um de nós cai, todos padecem juntos.
Pode ter certeza. Já não somos os mesmos mas, nossos valores estes nunca foram alterados.
BMX 4 EVER !
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