Chamou-me a atenção, como da primeira vez. Leve. Suave girava numa dança nos braços de alguém tão me alheio quanto ela. Outra. Tão nova como a de sempre, a que sempre guardei em conserva na memória, pois é a única da primeira vez.
Como antes disse, conservava uma fagulha, centelha da luz primeira que vi num outro dia, dia esse num outro tempo. Leve parecia. Mas, ao fita-lá , no exato instante em que seus olhos tropeçaram de encontro aos meus, como que desperto, a marteladas na parede, de um sonho vi que o salão não era tão iluminado e que luzes, como a dela, por menores que sejam fulguram melhor no quanto mais distante da gente se encontram. Só iluminam uma vez que tenhamos decido num poço escuro demais e é lá que um palito de fosfóro faz de um cego rei.
Alí, parecia ser a do amor primeiro, a do tempo que eramos para o outro o que fomos num tempo antes de sermos o que somos hoje em tudo. Em suma não somos senão um para o outro: ninguém.
Mas ouço agora fascinado as marteladas na parede, o fascínio se dá na segurança de que uma pequena infiltração pode causar maior estrago do que 1000 marretadas e gasto meu tempo cuidando dos miúdos, dos pequenos detalhes.
Assisto a sua dança e penso triste em quantas voltas esse mundo azul deu pra nos devolvermos um ao outro, dois ninguéns num pálido salão, ela que agora dona de seus vícios faz sua fortaleza protege-se de mim. Eu, num castelo de cartas conservo ávaro minhas virtudes. A música toca e nem querendo queremos nos tocar.
Quem sou eu
- Wagner Luíz @cadaveZmaisloco
- Apaixonado ... cada hora por algo , vivo de pequenas distrações, coleciono canções, pessoas, passos, enfim, um vasto relicário de ações + reações ... campeão em recordações. já o FUTUROooo... eu deixo todo ELE pra vocês !!!
segunda-feira, 19 de março de 2012
quinta-feira, 1 de março de 2012
Eu não te amo
Se não a amo. Na verdade, disso sei pouco.
Falemos desse amor que por aí se fala. Amor, no conceito de subproduto. Não que eu não saiba fazê-lo, simula-lo, aprendo a mentir com a mesma velocidade em que acredito e desconheço a mentira por mim gerada, só não digo que te amo, por que digo pouco, embora digam por aí que ando dizendo coisas demais ...
Já não amo gente, a minha racionalidade se travestiu de preguiça, brincou o carnaval, vestiu a carapaça da debilidade e não mais tirou a máscara, por esse mesmo motivo, em contraponto com a minha maturidade ( se é que esta existe abaixo da Linha do Equador, não é Levi-Strauss? ) passei a amar só as coisas, como um folião que zomba e samba na cara do cara triste.
Eu não te amo mas certifique-se de que amo tudo o mais que trazes pra mim, e é no fundo da embalagem, quando lambuzo os dedos no que resta do pote de yogurte é que me delicio como nunca.
Eu não te amo mas amo e adimiro a facilidade com que me deixas tão mais fácil do que me atrai. Amo tuas queixas enquanto quem sofre na verdade sou eu. Então, você se diminui só pra que eu me sinta por um quarto de uma noite algo um tanto maior, e quando meu ego infla e flutuo, gravito além de ti, trazes um alfinete e murcha meus sonhos numa medida exata que caiba nos pequeninos devaneios teus. Uma casa, um carro na garagem e nossos amigos num fim de semana em volta da churrasqueira, não falamos disso, mas é o que escuto, quando em silêncio cerra os ouvidos pro meu eu&você calado que quer gritar à todo custo : Ah, bem que o mundo poderia ser uma cama.
Amo quando me nega pras tuas amigas, e amo como se revela minha pros meus amigos. Amo a idéia de tê-la longe, faz com que eu me sinta dono de um trunfo, dono de um folêgo que guardo pra um dia raptá-la de uma só vez. Você a principio há de espernear nos meus braços, há de fazer alarde aos vizinhos, mas só pra que todos saibam que seu homem veio busca-la.
Amo saber que és minha, e amo saber que você sabe que sou todo seu, não há agenda, nem roteiro que não se abale e se desprograme a menor menção de seu nome. Amo essa paixão secreta e explícita, os extremos do nosso humor, essa de termos tudo e todos e, em termos mais práticos, mantenho toda essa vida errante só pra um dia, com os olhos mais claros, soprar esse castelo de areia por amor do teu nome, em nome da manutenção da minha pedra bruta mais valiosa, embora ainda não lapidada, que é você.
Embora eu ame muito mais o que deriva do que a própria matéria-prima. Estou aprendendo ...
Falemos desse amor que por aí se fala. Amor, no conceito de subproduto. Não que eu não saiba fazê-lo, simula-lo, aprendo a mentir com a mesma velocidade em que acredito e desconheço a mentira por mim gerada, só não digo que te amo, por que digo pouco, embora digam por aí que ando dizendo coisas demais ...
Já não amo gente, a minha racionalidade se travestiu de preguiça, brincou o carnaval, vestiu a carapaça da debilidade e não mais tirou a máscara, por esse mesmo motivo, em contraponto com a minha maturidade ( se é que esta existe abaixo da Linha do Equador, não é Levi-Strauss? ) passei a amar só as coisas, como um folião que zomba e samba na cara do cara triste.
Eu não te amo mas certifique-se de que amo tudo o mais que trazes pra mim, e é no fundo da embalagem, quando lambuzo os dedos no que resta do pote de yogurte é que me delicio como nunca.
Eu não te amo mas amo e adimiro a facilidade com que me deixas tão mais fácil do que me atrai. Amo tuas queixas enquanto quem sofre na verdade sou eu. Então, você se diminui só pra que eu me sinta por um quarto de uma noite algo um tanto maior, e quando meu ego infla e flutuo, gravito além de ti, trazes um alfinete e murcha meus sonhos numa medida exata que caiba nos pequeninos devaneios teus. Uma casa, um carro na garagem e nossos amigos num fim de semana em volta da churrasqueira, não falamos disso, mas é o que escuto, quando em silêncio cerra os ouvidos pro meu eu&você calado que quer gritar à todo custo : Ah, bem que o mundo poderia ser uma cama.
Amo quando me nega pras tuas amigas, e amo como se revela minha pros meus amigos. Amo a idéia de tê-la longe, faz com que eu me sinta dono de um trunfo, dono de um folêgo que guardo pra um dia raptá-la de uma só vez. Você a principio há de espernear nos meus braços, há de fazer alarde aos vizinhos, mas só pra que todos saibam que seu homem veio busca-la.
Amo saber que és minha, e amo saber que você sabe que sou todo seu, não há agenda, nem roteiro que não se abale e se desprograme a menor menção de seu nome. Amo essa paixão secreta e explícita, os extremos do nosso humor, essa de termos tudo e todos e, em termos mais práticos, mantenho toda essa vida errante só pra um dia, com os olhos mais claros, soprar esse castelo de areia por amor do teu nome, em nome da manutenção da minha pedra bruta mais valiosa, embora ainda não lapidada, que é você.
Embora eu ame muito mais o que deriva do que a própria matéria-prima. Estou aprendendo ...
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