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Apaixonado ... cada hora por algo , vivo de pequenas distrações, coleciono canções, pessoas, passos, enfim, um vasto relicário de ações + reações ... campeão em recordações. já o FUTUROooo... eu deixo todo ELE pra vocês !!!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Carapaça



Os dias voam a escapar do vão das mãos, já não habita mais em nós aquela força em tomar posse de tudo o quanto se parece conosco, tudo o quanto por força dos astros é ditado como nosso e que uma vez reconhecido labutaríamos dias a fio para que tal mérito permanecesse na estante, tão digno de orgulho como no dia primeiro da fresca conquista.

A premissa de estar atento ao amor que bate a porta de variadas formas ficou distante, distante de tal forma que quando fitamos pelo retrovisor da vida que segue conforme a velocidade permitida pelas vias de fato, o explorador e o objeto explorado em questão são tão distintos entre si que ao olhar para trás logo se conclui que aqueles suspiros, risos, lágrimas e todo o frio na barriga eram virtudes de um ser frágil que em nada se assemelha com o mesmo que hoje observa insensível o playground que deixou prá trás. É um brinquedo em que esse não cabe mais. Tampouco se sente afetado por isso.

Quando tal acontece, é como se toda a nossa inclinação em se sentir atraído por alguém logo expirasse, pois a 'maturidade' está ali com seus mil olhos atentos e com todas as provas possíveis a seu favor, pronta pra provar com números e até dados históricos de que o que a primeira vista se sente é mera atração física, animalesca, impulso, um corpo que fala.

Bye, bye Love. Nada de banquete de signos ... necas de alma gêmea, afinidades e outros fatores que em intervalos pragmáticos e bem alinhados são chamados à longo prazo de amor,
paixão, e outras tantas palavras que se perderam com a globalização ...

O monstro de mil olhos, a maturidade, nos apresenta o mundo das cerimônias e logo nos adaptamos a ele. Ligamos semanas antes de visitar aquele amigo a quem chamávamos aos berros do outro lado da calçada, hesitamos em comer a 1ª fatia da pizza... ficamos tão atarefados e sufocados por normas e etiquetas, rígidos, taciturnos e empacotados na obrigatoriedade de ter uma postura sempre ereta ( pensem o que quiserem), carregamos calados conosco um código crudelíssimo e sem fim de invejar qualquer edição nova da ABNT.

Lá no retrovisor, no achados & perdidos de alguma estação, quiçá a primavera, deixamos empoeirado e irreconhecível o bem mais precioso, que é a capacidade involuntária, como um músculo que se contrai, a capacidade de se apaixonar. Embora a febre que nos cause, se deixar apaixonar é o que de mais saudável há. E não é assim a febre, que vem e expele pra fora do nosso organismo em litros de suor todos os males?

A febre logo se vai, e com certeza o que sobra dos benefícios dessa há de se transformar em amor. E o amor, enquanto não reconhecido e por vezes inadmitido é a força motora e criadora em que maior verdade há. Na justificativa de driblar tais clichês, destes que só o amor constrói (risos!) lá vamos nós reinventá-lo, aproximá-lo de nossa realidade, uma realidade em que possamos sonhar a altura dos nossos sonhos. Tchau mundo, tchau globalização. E isolados somos ainda mais universais.

E vos digo que com todo o seu histórico negativo, este que o monstro de mil olhos, a maturidade, vos apresentará, o melhor ainda é amar.
Aprisionarmo-nos em carapaças que não nossas, são assaz nocivas para a nossa sensibilidade. Ela logo padecerá sufocada. Abafá-la com uma capa sobre a outra e sobre a outra e sobre a outra... Nascerá o dia em que na ânsia de descortiná-las custará a reconhecer aquilo que por tanto tempo abafamos
Aquilo que de tão seu, que de tão particular tanto se escondeu.
Por ora não lhe falta nada, não lhe faz falta o amor, por que só ficou na memória um amor que não faz falta.

Ame, nem que seja a pessoa errada, amadureça o seu amor, converta o monstro.

Há uma espécie de borboleta que numa peregrinação ao norte lhe custa quatro gerações. Porém, a quarta geração faz toda a viagem de volta ao sul. Esta geração é resultado de todas as modificações que se deram no caminho, graças as mudanças climáticas, a escassez e todas as dificuldades apresentadas esta borboleta adquiriu resistência e tolerância, bagagem suficiente para fazer todo o pregresso, voar todo o trajeto.

Esse procedimento é vital que se dê com o nosso amor, não escondê-lo ao primeiro vento, primeira seca. Não se desesperar quando este estiver sem abrigo. Ao contrário, nos é necessário fortalecê-lo. Esse amor certamente terá qualidades suficientes para viver em conjunto com as riquezas e as misérias da longa estação que se anuncia. E será tão feliz quanto o jardim que, um dia, florescerá aberto pronto a recebê-lo.

domingo, 14 de agosto de 2011

Acento com dois S's





Já não corro

Pois já não morro

Minha calma nasceu da pressa

dos que usurpam os assentos da frente.

Sinto pouco por esses

Quando digo que "Sinto muito"

minto...

Pois só sinto o suficiente



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CAIXA ALTA




À mim, muito intriga tanto amor à granel , o tanto todo que há nessas linhas, horas, até , duvido, ainda que a contragosto, da ternura desses dedos que teclam, e teclam - AMOR - entre um desastre & outro . E assim a fome passa ...
a fome passa ?

Crepita na minha cabeça, de menino acabrunhado, como se dá o exato instante, momento esse, em que a poesia, essa filha máxima da solidão e irmã dos saudosos, salta janela a dentro e a toma pelas mãos na delícia fria da madrugada e faz com que você faça que o AMOR faça sentido.

sempre o AMOR.

em negrito e em CAIXA ALTA



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Dá um tempo


As frivolidades do dia-a-dia ...
sim, estas sustentam - aparentemente - a cabeça dos homens confortáveis acopladas ao pescoço. Externa a qualquer código de ética, ou regime moralista o "bom dia-boa tarde- boa noite", a partida de futebol que, foi, acontece ou será e o "Deus sabe o que faz" mas, presente na boca do ateu do que um possível palavrão ( sim, os ateus convictos são mais carolas e dependentes das boas maneiras do que qualquer cristão, que eu conheça, seja do cristianismo) tornam a rotação do globo terrestre mais rápida e assim o dia morre leve. Entre mortos e feridos: salvam-se todos !



Dentre as atividades favoritas dos homens para acelerar a rotação do globo terrestre, sem cair na tentação de matar o bípede mais próximo - ou morrer na mão deste - , está a de falar do tempo. Sabe aquela aflição que se têm ao lado de um estranho após dois minutos de silêncio num ponto de ônibus mais estranho que esse ?
Como que tomados por um perturbar, causado pelo silenciar do minuto que existe calado logo uma das partes rompe a falar do tempo .

Da chuva que caiu, cai, caíra. Do sol que se fez , que se faz, que fará. Os desastres naturais estão em alta na roda dos anônimos, meteorologistas do ultimo minuto, amigaços atemporais de plantão, de fala compulsiva presentes em cada esquina, em cada qualquer esquina. Presentes em cada um, em cada uma que me aparece ...

Ainda pior dos que se poem a falar do tempo (clima) assunto este nada novo porém , que se faz novo a cada nova tarde - vê o desenho das nuvens - , são os que desabam a falar das estações. Reclamam do inverno, e da preguiça que este lhes dá como se fossem os grandes operários do verão. Ou quando do contrário, falam da chuva que os torna imóveis mas, é possível contar nos dedos , no período de um ano, as vezes que estes sob o céu aberto se dignaram a apreciar as estrelas.

Tenho medo destes, e temo ainda mais o dia em que o vento soprar numa só direção. O Sol queimar numa só temperatura e vir a cair sob nossas cabeças a mesma chuva:

Quê farão estes ?
Com um tempo mais previsível que eles ?

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