Mulheres ...
Corro sempre um grande risco de ser mal interpretado por essas, eu que já fui um dia o que chamam vulgarmente de pegador nato, amante dos jogos do amar, tratava-as como um monte à ser escalado, e uma vez no ápice, não me demorava muito, descia ainda mais veloz do que na escalada. Pronto. Já estava do outro lado ... pronto pra escalar um outro monte... não importasse qual, conquanto que fosse outro.
Como todo bom adulador, conseguia ludibriar a vítima em questão com o pressuposto de ser 'eu mesmo' ( o que acho ridiculo, principalmente em jogos como esses em que temos de ceder, perder, se desfragmentar e até acoplar vícios e virtudes por um curto período para convence-las de que somos - mesmo que só por uma noite - a materialização masculina de 'tudo o que você sempre quis num homem' ), elas caíam facilmente e não é que eu mentia, digamos, que eu maquiava, simulava situações e sempre fui bom em criar cenários propícios ( eu poderia ser um Às nos Studios Hollywoodianos) para deixa-las confortavelmente envoltas nos meus acasos forjados e elas automaticamente criam que o Destino era realmente maravilhoso para conosco ...
Eu sempre tive uma relação alheia à elas em especial, nunca fui de ter ciúmes de minha irmã logo nunca tive por elas ( mulheres) um menor sentimento que fosse de posse, e tampouco fui de exigir muito delas, passei a lavar desde cedo as minhas roupas sendo autonomo e auto-suficiente. Nunca quis sobrecarregar mamãe ... e nunca precisei consultar Freud pra me certificar de que vêm do meu berço esse apartheid em relação ao panteão feminino.
"Ah, os jogos do amor. Que tão insaciável nos parece porém tão logo nos sacia." sei bem que Hesse falava de sexo nessa frase mas, por outro lado desaprendi à longo prazo a mentir ... e hoje tenho um respeito muito maior por todas elas. As vejo com adimiração, suas curvas, seus aromas, seus tiques, seus anseios que são tão baixos, e que de tão simples nos dão um nó na cuca tentar pensar e se pôr por instantes no lugar delas.
Chegou um dado momento em que meu saldo com toda a massa feminina ficou negativo à tal ponto de que pra quitá-la acreditei ter de carregar no ventre uma vida, parir, sentir todas as dores ... e contudo ainda seria eternamente devedor. Em especial por tudo o quanto menti, dissimulei e pelas mãos que nunca dei. Nunca fui um bom irmão, não haveria de ser também um bom amante ( Cale-se meu "Freud" particular ).
Contudo, nesse meio tempo, hoje em que assisto a tudo pelo lado de fora, tenho tirado leite de pedra, ou seja, proveito de situações em que noutros dias eu teria padecido milhões. Tenho aprendido com elas, as escuto e é como se eu reduzisse a minha pena por bom comportamento e pelos serviços prestados à comunidade mais sensível do Universo.
Peço aqui perdão a todas AS MULHERES DO MUNDO ..
Aprendi a amar uma mesma mulher pela segunda vez e isso é um avanço e tanto.
Notas para 2012: Revisitar calmamente montes e vales ...